Suspeito de ataque em Paranaíba declarou apoio ao PT; em Rondonópolis, manifestação pró-Lula terminou em discussão e empurrão contra homem identificado como apoiador de Flávio Bolsonaro.
Um esfaqueamento em Mato Grosso do Sul e relatos de agressão durante uma manifestação em Mato Grosso do Sul? Não: o segundo episódio ocorreu em Mato Grosso, na Universidade Federal de Rondonópolis. Os dois casos, registrados nesta semana, envolvem pessoas identificadas nas reportagens como bolsonaristas e suspeitas de violência associada a divergências políticas.
Em Paranaíba (MS), a vítima foi hospitalizada e sobreviveu. Em Rondonópolis (MT), a universidade divulgou uma nota repudiando violência e intimidação e informou que eventuais infrações serão apuradas. As circunstâncias e responsabilidades de cada episódio ainda dependem das respectivas investigações.
Homem é esfaqueado após discussão em bar de Paranaíba
Um homem de 36 anos foi atingido por uma faca na noite de terça-feira, 6 de outubro, em um bar no bairro Santo Antônio, em Paranaíba.
Segundo informações do registro policial reproduzidas pela imprensa local, o suspeito, de 52 anos, chegou ao estabelecimento aparentando estar embriagado. Após discutir com a vítima, teria buscado uma faca no carro e retornado ao bar para atacá-la. Frequentadores intervieram e retiraram a arma de suas mãos.
A vítima foi encaminhada à Santa Casa de Paranaíba e, conforme as informações divulgadas, estava estável e sem risco de morte. O suspeito deixou o local, mas posteriormente se apresentou à Polícia Militar e foi levado à delegacia.
Suspeito declarou apoio ao PT
De acordo com o relato policial citado pelo RCN67, o suspeito atribuiu o desentendimento a divergências políticas, declarou apoiar o PT e identificou a vítima como apoiadora de Jair Bolsonaro.
A declaração integra a versão atribuída ao suspeito. A Polícia Civil deverá esclarecer a motivação e a dinâmica da agressão.
Embora a Revista Oeste tenha mencionado Flávio Bolsonaro no título de sua reportagem, o próprio texto descreve a vítima como apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações consultadas não estabelecem que ela ocupasse função na campanha presidencial de Flávio.
Manifestação pró-Lula termina em empurrão na UFR
Na quinta-feira, 8 de outubro, outro episódio foi registrado na Universidade Federal de Rondonópolis.
Segundo reportagens locais, um homem apontado como apoiador de Flávio Bolsonaro discutiu com participantes de uma manifestação em apoio a Lula. A confusão teria começado depois de ele questionar a realização do ato dentro da universidade.
O HiperNotícias relatou que imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma discussão, cercada por outros participantes, que termina em um empurrão contra o homem. O Muvuca Popular também informou que ele alegou ter sido agredido.
Universidade repudia violência e anuncia apuração
Em nota oficial publicada nesta sexta-feira, 9, a UFR reafirmou o compromisso com a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões.
A instituição afirmou que manifestações devem respeitar a integridade das pessoas, as divergências e as normas institucionais. Também repudiou agressões, ameaças e intimidação.
Segundo a universidade, eventuais infrações serão examinadas pelas instâncias competentes, com garantia de defesa aos envolvidos e adoção das medidas administrativas e legais cabíveis. A nota não apresenta uma conclusão sobre a responsabilidade individual pelo episódio.
Flávio também relatou ameaças de morte durante a campanha
Em agosto, Flávio Bolsonaro afirmou ter recebido mais de 1.800 ameaças de morte. Segundo reportagem do Estadão Conteúdo publicada pelo Diario de Pernambuco, o candidato associou as intimidações à sua proposta de classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas.
A equipe do senador informou que 30 ameaças teriam resultado em investigações da Polícia do Senado. Esse número foi apresentado pela campanha e não deve ser tratado como um levantamento de agressões contra eleitores.
A reportagem também não estabeleceu que os responsáveis pelas ameaças fossem apoiadores do PT.
O que ainda precisa ser esclarecido
Em Paranaíba, a motivação política foi atribuída ao suspeito no registro policial. Em Rondonópolis, há relatos de agressão e uma manifestação oficial da universidade sobre a necessidade de apuração.
Esses elementos permitem noticiar os episódios, mas não demonstram uma ação coordenada entre os envolvidos nem responsabilidade das direções partidárias. A identificação política de uma pessoa, por si só, também não comprova filiação ou atuação oficial em uma campanha.
O esclarecimento dos fatos depende das investigações e da análise das provas de cada caso.