Documentos disponíveis no TSE revelam diferenças em economia, trabalho, segurança, saúde e educação; veja as prioridades de cada candidato.
Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentam diferenças sobre o papel do Estado e os caminhos para melhorar os serviços públicos. A comparação das propostas disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral ajuda a identificar compromissos concretos e distinguir promessas de resultados garantidos.
Quem propõe cortar gastos públicos?
Flávio apresenta uma agenda explícita de redução da estrutura administrativa. Nas páginas 68 a 71, seu programa propõe cortar pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados e despesas administrativas, combater supersalários e reformular as regras fiscais. Também prevê retomar a desestatização, mediante avaliação caso a caso.
Lula propõe manter o arcabouço fiscal, controlar o crescimento do gasto primário e melhorar a eficiência das despesas. Na página 49, associa o equilíbrio fiscal ao crescimento econômico, à justiça tributária e ao combate a privilégios, preservando políticas sociais.
A diferença está no instrumento: reduzir o crescimento da despesa não significa necessariamente diminuir o valor total gasto.
E quem fala em reduzir impostos?
Flávio promete reduzir a carga sobre produção e consumo, revisar a reforma tributária, diminuir o IVA e desonerar investimentos e exportações. O documento também prevê redução de impostos sobre energia elétrica e combustíveis. Esses compromissos aparecem nas páginas 30, 31, 71 e 72.
Lula destaca alívio tributário direcionado. Na página 11, o plano apresenta como realizações do mandato a isenção total ou parcial do Imposto de Renda, acompanhada de maior tributação no topo da renda. Também descreve a isenção da cesta básica e o cashback para pessoas de menor renda na reforma do consumo. É preciso distinguir esse balanço de medidas anteriores das propostas para o próximo mandato.
Portanto, não seria correto afirmar que apenas um dos documentos aborda alívio de impostos. A diferença é entre uma promessa de redução mais ampla e uma estratégia de redistribuição da carga tributária.
As principais diferenças entre os planos
| Tema | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Economia | Continuidade do Novo PAC, política industrial e transformação ecológica. | Desburocratização, abertura comercial e incentivo ao empreendedorismo. |
| Trabalho | Fim da escala 6×1, jornada de 40 horas e valorização do salário mínimo. | Redução do custo do trabalho e valorização da negociação entre empregadores e trabalhadores. |
| Saúde | Fortalecimento de programas como Mais Médicos, Farmácia Popular e atendimento especializado. | Digitalização do SUS, prontuário eletrônico único e uso de horários ociosos da rede privada. |
| Educação | Expansão do ensino técnico, tempo integral e continuidade do Pé-de-Meia. | Escolas cívico-militares, método fônico e vouchers quando faltarem vagas. |
| Segurança | Integração, inteligência, controle de armas e combate financeiro ao crime organizado. | Redução da maioridade penal e endurecimento das regras de cumprimento de penas. |
| Política externa | Multilateralismo, BRICS e integração sul-americana. | Abertura comercial e adesão à OCDE. |
Síntese dos temas relacionados nas páginas oficiais do TSE.
Também existem pontos em comum
Os dois programas abordam ensino em tempo integral, formação técnica, modernização da saúde e enfrentamento ao crime organizado. A presença de objetivos semelhantes, porém, não significa que proponham os mesmos mecanismos para alcançá-los.
O que o eleitor deve observar?
Para avaliar uma promessa de corte de impostos, vale perguntar quais tributos serão reduzidos, quem será beneficiado e como a perda de arrecadação será compensada. No caso das despesas, é necessário identificar quais gastos serão atingidos e o efeito sobre os serviços.
Plano de governo é compromisso de campanha. A comparação permite conhecer prioridades, mas não comprova, por si só, que cada medida produzirá a economia ou a melhoria prometida.
Fontes: programas de governo de Lula e Flávio Bolsonaro disponibilizados pelo TSE, consultados em 9 de outubro de 2026. As páginas mencionadas correspondem à numeração impressa dos documentos.

